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domingo, 07 outubro 2018 / Published in Mascotes & Filhos

Morte do cachorro de estimação: o que dizer aos filhos?

Animal de estimação para crianças

Os pais tentaram esconder, mas depois de uma semana internada na clínica veterinária, a filha de 11 anos se deu conta da morte do cachorro de estimação.  Petita, uma poodle há 17 anos na família, não voltaria mais.

E agora? O que fazer?

Por que perder o cachorro pesa tanto no universo infantil

Na França, algumas escolas já reconhecem o luto infantil pela perda do animal de estimação como luto verdadeiro, estando lado a lado com aquele da morte de uma tia, por exemplo. E não é para menos. Não raro a morte do cão ou gato é a primeira grande perda no mundo infantil, acontecendo antes mesmo da perda de seus avós.

Leia mais:

Seu mascote gosta mesmo de estar com seus filhos?

Leia essas dicas antes de presentear seu filho com um animal de estimação

O sofrimento pela morte do mascote que interage com a criança é legítimo porque de um dia para o outro seu companheiro deixou de existir.

— O luto pela perda do animal é verdadeiro. Isso porque é um vinculo bem construído de relação afetiva, de brincadeiras, de respeito mútuo. Uma relação afetiva consolidada com o passar do tempo — explica a psicoterapeuta Ana Figueiró.

O grande amigo

O maior benefício do animal de estimação para o ser humano, e isso inclui crianças, é a companhia. Primeiramente, animais de estimação estão inseridos em uma categoria distinta. Em vista disso, do vínculo construído, o mascote pode ter importante papel como auxilio afetivo no desenvolvimento do relacionamento interpessoal. Essa relação se dá em especial com cães e gatos devido ao alto grau de socialização que essas espécies têm com o ser humano. E essa interação só foi possível depois de séculos de domesticação e convívio.

a morte do cachorro de estimação é a primeira grande perda infantil.

A morte do cachorro de estimação pode ser a primeira grande perda infantil.

No universo infantil, o animal de estimação pode ganhar o título de melhor amigo e fiel confidente. O cão ou o gato não deixam de ser agentes educativos pois com eles a criança pode aprender a respeitar os limites do outro, brincar sem machucar, permitir ao mascote horários de sono e refeição sem intervenções.

— Isso é bastante comum nos dias de hoje. As famílias têm menos irmãos e com o animal de estimação a criança também pode estabelecer uma relação de troca afetiva — explica a psicoterapeuta.

De acordo com Ana, a criança, não sendo a única na casa que precisa de atenção, pode aprender a compartilhar e a respeitar o outro, nem que esse outro seja um animal.

Mas esse mascote têm vida curta, crianças vão ter que trabalhar, ainda em tenra idade, a morte dele.

Como ajudar?

O luto pela morte do cachorro de estimação deve ser trabalhado em família. À criança, Ana recomenda dizer tudo aquilo que é dito na perda de um ente querido. “Se encerrou um ciclo, ficaram as memórias. Com o tempo, a lembrança virá em forma de saudade, sem dor”, aconselha a psicoterapeuta que não recomenda ser a morte do animal um assunto proibido na casa.

— Deixem a criança falar, deixem chorar. E nessa hora estejam junto dando afeto e compreensão.

A morte do cachorro de estimação

A morte do cachorro de estimação é um momento delicado para as crianças

Por outro lado, podem os pais estar com dificuldade em elaborar seus próprios lutos. Às vezes a mãe vai consolar o filho e acaba chorando também.

— Se chorar, chorou. Não vale esconder. Pais também são humanos e é bom os filhos começarem a entender isso — salienta a profissional.

Como saber se a criança precisa de ajuda profissional?

Ana Figueiró lembra que, devido a histórias pregressas, pode ser muito difícil para uma pessoa suportar a perda do animal. Mas recomenda que a família se permita pelo menos seis meses de tristeza. Contudo, alterações de sono, de apetite, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar ou no trabalho, alterações de humor e até doenças frequentes devem ser consideradas como consequência de um luto mal elaborado.

— Quando algo sai do suportável, pode haver o surgimento de sintomas e esse é o momento em que se deve procurar ajuda — explica a psicoterapeuta.

Veja dicas para ajudar o luto infantil na morte do animal de estimação:

– Se permita elaborar o luto por seis meses. Além disso, tenha em mente que choro e tristeza, ao se lembrar do animal, são manifestações que podem aparecer até dois anos depois da perda do mascote;

– Ainda que tenha vontade, não leve outro animal na semana seguinte para casa. É aconselhável encerrar um ciclo para dar início a outro. Por essa razão, para uma pessoa o tempo para se adquirir outro mascote pode ser de três meses enquanto que para outra pode ser um ano. No entanto, o que importa é a família entrar em consenso de qual o momento ideal para se ter outro animal em casa;

– Procure recolher os pertences do mascote espalhados pela casa. Se a família estiver de acordo, pode deixar algum como lembrança;

– Fale da perda, dê liberdade para seu filho manifestar seus sentimentos. É mais fácil para ele elaborar o luto na medida em que é amparado.

– Não tente ser super herói se você também está sofrendo. Ademais, dor e sentimentos não se controlam e é bom seu filho entender que você é humano como todo mundo.

E para quem refuga a ideia de ter mascotes para proteger o filho de perdas futuras, é bom lembrar que ele não poderá ser protegido o tempo todo. Porque,na vida, cedo ou tarde a criança terá perdas.

— Às vezes pode até ser interessante ela trabalhar primeiro a morte do mascote. Ademais, não deixa de ser um ensaio para perda de relacionamentos mais expressivos como pais e avós — lembra Ana.

Leia também: Minha mãe não gosta de animais, o que fazer?

7 dicas para fazer seu cão mais feliz

 

Tagged under: filhos e cães, morte animal estimação criança, morte do mascote

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